Rasgavas as folhas dos espaços vazios de nada.
Nas paredes pinceladas de tédio descreviam golpes de asas.
A água na sua passagem constante esboroava os muros em nossos corpos.
E tu religiosamente contavas o tempo no bolso dos homens como cão
preso na corrente da vida.
Passeia os dedos
e todo o corpo se agita
a voz segue as notas saídas do piano
logo o beijo se entorna no olhar
respiram a um mesmo tempo
regressando ao espaço feito improviso
nesta cumpliçidade que se não explica.
Sente-se!
Era o olhar no começo
a voz atravessava o rigor da profundidade
e as memórias vinham através dos sôns destroçidos
desenhados nos percursos dos infernos modernos
fluía mais espesso que a água (o sangue) nesta máquina-de-guardar-coisas.
No forro da memória cosias segredos por contar
e na intimidade do tempo ido personagens transitavam nas transparências espelhadas sem complexos nem nostalgias nesta aparência luminosa de aquosas cores labirinticas atravessadas como rasgões no espaço.
Atravesso o mundo, e saiu na leveza das nuvens rompendo o caos dos silêncios de espólios abandonados, aqui serenos como sentinelas de nós mesmos, olhamos as imagens esboroadas pela acidez da vida fingida, e fechados os rostos, as lágrimas são seixos de rios de pedra com vontade de correr.
A lua entorna
ocasionais e envergonhadas
silhuetas
que passam despercebidas
e
simultaneamente o sol descansa
na serenidade dos infinitos sons.
Lentamente o coração bate
breve de asasos sons
como trinados de pássarostrespassamcom feixes de luz
o rosto rendilhadoem delicadeza poética.